sexta-feira, outubro 26

RESTAURANTES, BARES, BOTECOS E AFINS

Estive este mês na casa Garabed, um restaurante situado no bairro de Santana que serve comida armênia, aliás o único restaurante armênio da cidade.
Vocês certamente estarão pensando: Com tanta comida boa em São Paulo, por que buscar uma culinária tão pouco atrativa?
Confesso que fui até Santana movida pelo Jorge Alex... não, não é nada do que vocês estão pensando...ir ao Jorge Alex era um sonho de adolescente, que sempre acalentei ao folhear as paginas da Elle e ver aqueles belíssimos pares de sapato, com preços incríveis, vendidos na loja homônima.
Consegui convencer o meu marido a me acompanhar nesse programa tão divertido para homens e, como pagamento, aceitei conhecer a famosa “Casa Garabed” e devo lhes dizer que o saldo foi super positivo.
O restaurante foi fundado pela família Deyrmendjian no ano de 1951. Garabed e os demais imigrantes vieram parar no Brasil fugidos da perseguição dos turcos. A mãe de Garabed estava entre o 1,5 milhão de armênios mortos no genocídio de 1915. Cristãos ortodoxos, eles não aceitavam a conversão ao islamismo, imposta pelo Império Turco-Otomano.
Ao subir a ladeira da Rua José Margarido, fique atento pois, a menos que esteja muito “ligado”, passará direto pela casa, já que não há nenhuma placas ou indicativo na porta.
Ao adentrar o estabelecimento, você observará um enorme forno à lenha, construído há seis décadas, medindo 25 metros e alimentado com eucaliptos, onde são preparadas 15 diferentes tipos de esfihas, além de grelhados e assados.
Vocês devem estar se perguntando o porquê do restaurante armênio servir tamanha variedade de esfihas, e eu fiz exatamente essa pergunta ao Sr. Roberto, proprietário do local, que me esclareceu que as receitas armênias são bastante similares às árabes, a não ser por uma pequena variação em alguns ingredientes e na mescla de condimentos. Os nomes dos pratos também são diferentes. Seu alfabeto, de 36 letras, foi criado no ano 401.
Quando for pedir pasta de grão-de-bico, não fale "hômus", mas "homús". Arroz com lentilha acompanhado de espeto de filé, em vez de mijadra, é "mudgek teré". E a esfiha, assada no mesmo forno há 52 anos, é "lehmedju".
Como neta de libaneses que sou, quase entrei em êxtase ao matar as saudades da esfiha de zatar (manauche em árabe) e do quibe assado na lenha e cozido na coalhada, muito parecido com o chichbarak feito cuidadosamente pela minha avó Augusta em todas as comemorações do ano novo judaico e objeto dos meus sonhos no decorrer dos meses que se seguiam.
Não deixe de provar a cafta assada no forno de lenha e servida com arroz armênio e salada. O restaurante é bem simples, mas os preços nem tanto assim. As porções não são tão generosas quanto se imagina, mas a cerveja estupidamente gelada e os pratos sendo servidos estalando de quentes, compensam qualquer tostão a mais.
Vá à Casa Garabed, mas reserve um bom tempo para a visita, já que, além da distância, você desejará permanecer lá por muitas horas.
Aceita Visa Electron, Redeshop

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