sexta-feira, outubro 26

SEX PISTOLS

Maria Macarena Guerado de Daniele *
Tendo me sido atribuída a difícil, ainda que prazerosa, tarefa de falar sobre música, fiquei atemorizada na escolha do tema sobre o qual comentar... Por isso, resolvi falar sobre meu primeiro CD de rock... Um clássico!
Era o começo da década de 90... Eu nem tinha CD player ainda, mas não resisti e fui dar uma olhadinha nas “baciadas” de CDs em promoção nas “Lojas Americanas”... Qual não foi minha grata surpresa quando, dentre “Chitãozinhos e Xororós” e “Kaomas” da vida, encontrei, dando um sorriso enorme para mim, o CD “The Great Rock and Roll Swindle”, do Sex Pistols... Quem me conhece já sabe todo o processo mental justificante do meu consumismo: “Bem, não tenho CD player, mas posso ouvir na casa de alguém... Aliás, eu preciso mesmo pedir um... E, pôxa, tá tão baratinho... E se sair de catálogo?” Comprei, claro!
Sex Pistols é considerada a maior banda punk de todos os tempos, ao lado dos Ramones e do The Clash. Seu idealizador foi o empresário e picareta Malcolm McLaren, que, inspirado na banda transgressiva americana “New York Dolls” (uma mistura de glitter e sadomasoquismo), resolveu abalar os alicerces da sociedade inglesa e ganhar dinheiro com isso. Assim, arregimentou, no interior da loja de roupas “Sex” (que dividia com a hoje conceituada estilista Vivienne Westwood), quatro rapazes sujos e irreverentes, que queriam mais provocar e falar palavrão do que tocar... Nascia o Sex Pistols, embalado pelo conceito de que a atitude (e somente ela) era o que importava. Para se ter uma idéia do despreparo dos “músicos”, a escolha do vocalista, Johnny Rotten foi feita por sua postura e comportamento anti-social. Segundo ele mesmo afirma, estava andando pela rua com sua camiseta “Eu odeio Pink Floyd” e foi convidado para ir à loja... Como não sabia cantar, seu teste consistiu em mímicas em cima da música “School’s Out” do Alice Cooper, tocada em uma jukebox.
Não é preciso dizer que o primeiro show da banda foi um fiasco.
No entanto, eram tempos difíceis na Inglaterra, pois, com o governo conservador de Margareth Thatcher, o desemprego só aumentava e proliferavam as crises raciais, o que fez com que os jovens se rebelassem, inclusive contra o rock, que parecia já não ser uma música adequada para expressar os pensamentos de quem não tinha nada para fazer e muito que reclamar.
Talvez isso explique o imediato sucesso das bandas punk, em especial do Sex Pistols, que traduzia a revolta juvenil contra a caquética monarquia britânica de uma maneira direta e simples: a música toda baseada em apenas três acordes... O som - cru - não era importante, mas, sim, o recado. E este era muito bem dado: Johnny Rotten foi o primeiro a dizer “Fuck Off” na TV britânica, o single “God Save The Queen” (“God Save The Queen... She ain’t a human being... There is no future in England’s dreamin’...”) foi lançado durante as comemorações do jubileu de prata da Rainha Elizabeth, além de outros escândalos bem conhecidos, como os do baixista Sid Vicious, que vivia chapado de heroína e morreu de overdose logo após ter sido preso pelo assassinato de sua namorada Nancy Spungen.
Claro está que uma banda dessas não poderia mesmo ter vida longa, então, após 26 meses e apenas um disco (“Never Mind The Bollocks – Here’s The Sex Pistols”), o vocalista-encrenqueiro Johnny Rotten foi expulso e a banda acabou, mas os dois músicos remanescentes (Paul Cook e Steve Jones) iniciaram as gravações do filme “The Great Rock and Roll Swindle”, de Julian Temple, com direito a uma passagem pelo Brasil para gravar com a “vergonha nacional inglesa” Ronald Biggs... A música? “No One Is Innocent” (!). Sobre este assunto, “Ronnie” reclama os direitos autorais que diz nunca ter recebido pela composição, mas ladrão que rouba ladrão...
O filme, traduzido no Brasil como “A Grande Farsa do Rock”, traz Malcolm McLaren demonstrando os 10 passos para se montar uma fraude e ganhar muito dinheiro (qualquer semelhança com os Sex Pistols não é mera coincidência):
01. Fabrique seu grupo
02. Estabeleça o nome
03. Venda a farsa
04. Não toque nada, para não ser desmascarado
05. Roube o máximo de dinheiro possível da gravadora de sua escolha
06. Torne-se a maior atração turística do mundo
07. Cultive o ódio. Essa é sua maior vantagem
08. Diversifique os negócios
09. Leve civilização aos bárbaros
10. Quem matou Bambi?
Horrível, não?! Pois é... Imperdível de tão tosco!!! A trilha sonora? Maravilhosa! Destaque para as clássicas “God Save The Queen”, “Anarchy In The UK” e a versão surreal de Sid Vicious para a “My Way”, do Frank Sinatra.
Para quem ficou curioso, confesso que tenho uma cópia piratésima do filme em VHS (vixe!), comprada na boa e velha Woodstock (calma, galera, não vendia no Brasil!)... Mas o CD que inspirou a resenha é original...
Sex Pistols é tudo de bom!!!
Maria Macarena é advogada , aficcionada e conhecedora de música, além de ser um rostinho bem bonitinho.

2 comentários:

Luiz disse...

Fantástico post!!!!!
A autora saca tudo de música e é muito mais do que um rostinho lindo.
O Sex Pistols teve, e tem, uma importância enorme em tudo que se seguiu ao seu surgimento e ao do movimento punk, muito embora eu, particularmente, goste mais do The Clash.
O disco é senscional. Além dos clássicos, destaco "Friggin' in the Riggin'", regravada anos mais tarde pelo Anthrax. Infelizmente, nunca consegui assistir o filme.

Humberto barros disse...

Tânia estou tão orgulhoso de você The Sex Pistols!!!
Wala Wala!!!
Seu amigo do rock'n'roll

Humberto Barros