domingo, outubro 28

SUPERAÇÃO

Acabo de voltar de um evento no Guarujá, e entre aulas de degustação de vinho, clínicas de tênis e palestras sobre os mais variados assuntos, fomos brindados com a presença de Álvaro, um dos sobreviventes da tragédia dos Andes, que estava acompanhado de seu esposa, Margarida.
Ele contou detalhes sobre a queda do avião, ocorrida em 1972, e como conseguiram sobreviver durante os longos 69 dias nas montanhas super geladas entre Montevidéu e Santiago do Chile. Após alguns dias, sem qualquer comida, os sobreviventes tomaram a difícil decisão de se alimentarem dos corpos das vítimas fatais do acidente.
A tragédia dos Andes teve início no dia 13 de outubro, por causa de uma falha no motor do Fairchild, quando o avião sobrevoava a cordilheira, com 45 pessoas a bordo: cinco tripulantes e 40 passageiros - jovens jogadores de um time uruguaio de rugby, o Old Christians, que faria uma partida em Santiago, acompanhados de parentes e amigos. "Vinte e uma pessoas morreram na queda ou em conseqüência dela. Dos outros 24, oito seriam soterrados alguns dias depois, vítimas de uma avalanche. Os restantes, duas vezes sobreviventes, ainda tiveram que superar uma notícia desastrosa, ouvida do rádio ligado à bateria do avião: as buscas, depois de oito dias, estavam sendo suspensas.
Abandonados, os jovens, quase todos filhos de famílias ricas e de classe média alta de Montevidéu, se organizaram: a água era obtida derretendo-se a neve. Em relação à comida, diante do desespero, optou-se por uma medida extrema: alimentar-se da carne dos mortos, mantida congelada sob a neve. "Não havia tempo para pensar no que ao mundo pudesse parecer correto ou não", disse anos depois Roberto Canessa, na época estudante de medicina. Ele e Fernando Parrado foram figuras fundamentais no desfecho do episódio - depois de 59 dias nas montanhas, saíram andando, dispostos a chegar a algum lugar. Dez dias depois, avistaram um camponês. Fracos para gritar, lançaram uma pedra com um bilhete, que terminava com um desesperado "por favor, venham nos apanhar".
Foram, e o mundo conheceu os momentos de horror por que haviam passado. Por trás do "milagre de Natal", como inicialmente se tratou do caso, veio à tona a terrível realidade da antropofagia".(
http://www.geocities.com/hollywood/location/9137/sobreviventes.htm"
Um segredo para sempre
Em entrevista concedida por Fernando Parrado, constante do site
http://prof.reporter.sites.uol.com.br/andes1.htm, o sobrevivente esclarece algumas questões:
JT — Você tem uma idéia de quanto dos corpos foi consumido?
— Muito menos do que você possa imaginar... (silêncio) Foi uma dieta basicamente pequena, numa situação encarada com total respeito.
JT — Quantos corpos foram utilizados?
— Não todos. (silêncio)
JT — Você realmente não tem uma idéia precisa?
— Eu tenho. Mas responder sobre quem, como e quanto é algo muito íntimo. É algo que ficará entre os 16 e jamais será contado.

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