quarta-feira, novembro 7

CINEMA


31ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO


Alexandre Leite do Nascimento*
São Paulo é realmente uma cidade fantástica. Apesar de todos os seus problemas, quem me conhece sabe que adoro viver aqui. Tenho muito orgulho de ser carioca, mas Sampa é a cidade que melhor me recebeu, de todas em que já vivi.


E com festival de cinema, melhor ainda! É interessantíssimo observar a mistura saudável e pacífica de tribos num festival como esse, um microcosmo do que é a cidade em si. E tudo pelo amor à sétima arte.
Com agenda complicada, por causa do trabalho, a seleção de filmes – entre mais de 400! - acabou sendo facilitada, em virtude dos horários.
Embora tenha lido várias críticas em relação à organização da Mostra, não tive maiores problemas – apenas 2 de legendagem, em “Lust, Caution” e em “Os Otimistas”, e logo resolvidos - seja na compra do ingresso, seja durante as exibições.
Seguem algumas curtas impressões sobre os filmes assistidos, em ordem cronológica :
“Lust, Caution” (Diretor : Ang Lee) - Belíssimo filme, merecido vencedor do Leão de Ouro em Veneza. É a história do envolvimento entre uma mulher, membro da resistência chinesa à ocupação japonesa na década de 1940, e um alto membro do governo colaboracionista chinês. Obra-prima forte, densa, sensual e de final angustiante, alinha-se a obras como “O Porteiro da Noite” e “Último Tango em Paris”, no retrato de uma paixão em país convulsionado. Indispensável.
“Savage Grace” (Diretor : Tom Kalin) – História real sobre o conturbado relacionamento entre uma mãe mentalmente perturbada e seu filho. Em interpretação inspiradíssima, Julianne Moore encara o papel mais desafiador e polêmico de sua carreira, com cenas que podem chocar os desavisados. Forte e para poucos.
“Os Otimistas” (Diretor : Goran Paskaljevic) - Em registro constante do próprio título, esta livre adaptação do “Cândido”, de Voltaire, entrega 5 histórias ligadas pela ingenuidade dos seus protagonistas, sempre pegos de surpresa por adversidades, mas sempre mantendo o alto-astral e a esperança. Surpreendente.
“Kimera – Estranha Sedução” (Diretor: Paul Auster) – Escrito e dirigido pelo escritor e cineasta bissexto Paul Auster, esta análise do processo de criação literária revelou-se bastante interessante e inteligente, sem hermetismos e brincando com conceitos consagrados no meio, como o da musa. Instigante.
“No Vale das Sombras” (Diretor: Paul Haggis) – Filme mais recente do diretor (Crash) e roteirista (Menina de Ouro) Paul Haggis, narra a história – real - de um casal em busca de seu filho, soldado desaparecido após retornar do Iraque. Em ritmo diametralmente oposto ao de seu 1º filme, Haggis constrói lenta e pacientemente uma bela e dolorosa crônica sobre um país em frangalhos, e os efeitos de uma guerra sobre os que dela participam e aqueles que estão a seu redor. Ninguém volta o mesmo de um conflito armado, conclui a obra, que ombreia com “O Franco-Atirador”.


Alexandre é o nosso cinéfilo de plantão...

2 comentários:

Tânia Nigri disse...

Alexandre, você é demais! Amei!

Marizete disse...

Alexandre, conta o final dos filmes!