segunda-feira, novembro 26

POESIA

A hora do cansaço
Cs Drummont de Andrade

As coisas que amamos,as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poderde respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,e todos nos cansamos,
por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gozo acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

Um comentário:

lobo do cerrado disse...

quando compreendermos que nada 'e eterno e tudo passa, e simplesmente aceitarmos esse fato como natural, sofreremos menos.