domingo, janeiro 6

A COZINHA MAIS SAUDÁVEL DO MUNDO?


A cozinha mais saudável do mundo

Sushi, sashimi, missô, tigelinhas com bardana e gergelim e por aí vai. Os japoneses adoram comer, mas têm a menor taxa de obesidade entre os povos. Como se explica o paradoxo? É a vez de as japonesas contarem por que sua dieta as torna as mulheres mais longevas da Terra.
Texto: Fernanda AllegrettiIlustrações: Nik
Em 2004, a Organização Mun dial da Saúde (OMS) alertou a população sobre uma “epidemia global de obesidade”, com mais de 1 bilhão de adultos acima do peso. Na contramão dessa estatística, está o Japão, com uma taxa de obesidade de apenas 3% – nos Estados Unidos as mulheres somam 34%, na França 11% e no Brasil, entre homens e mulheres, 38,6 milhões de pes soas estão com o peso acima do recomendado. Como conseqüência na tural desses baixos índices, os japoneses estão gastando menos com tratamentos de saúde (2,8 dólares por pessoa, por ano, contra 5,7 dólares nos Estados Unidos). Outro dado é que as orientais também podem se gabar de ter a maior expectativa de vida do mundo: 85 anos. Beneficiadas pela genética? Naomi Moriyama, 47 anos, consultora de marketing e autora do recém-lançado Mulheres Japonesas Não Envelhecem Nem Engordam (ed. Rocco), em parceria com o marido, William Doyle, garante que essa não é a explicação. De Nova York, onde mora, ela conversou com Bons Fluidos e compartilha os sete segredos de cozinha que faz os japoneses aparentarem me nos idade do que têm.

Bons Fluidos – Estamos curiosos para saber qual o segredo das mulheres japonesas para retardar o envelhecimento e manter o peso saudável.

Naomi Moriyama – Nossa dieta é rica em soja, vegetais e peixes – o Japão contabiliza 2% da população mundial, mas consome 10% dos peixes pescados no mundo. Preferimos arroz a pão e junk food. Evitamos frituras, molhos pesados e gordura animal. Nos sas porções são menores, servidas em pequenas e belas louças, e praticamos atividades físicas diariamente.

BF – No livro, você diz que o ideal é deixar a mesa quando estivermos 80% satisfeitos.

NM – Esse é um dos sete pilares da cozinha japonesa. E é fácil incorporá-lo. Lembre-se de que a refeição deve saciar sua fome e não deixá-la empanturrada. Algumas pesquisas sugerem que o cérebro demora de 15 a 20 minutos para constatar que o estômago está cheio, então, alimentar-se calmamente vai ajudá-la a descobrir a hora certa de colocar o prato de lado. Outra coisa prática são as tigelas e travessas menores, que reduzem o tamanho das porções.

BF – Você engordou 11 kg quan do deixou Tóquio pela primeira vez e se mudou para os Estados Unidos para estudar.

NM – Algumas pessoas pensam que os japoneses são beneficiados pela genética, mas estudos mostram que, quando imigram para países como Brasil e EUA e adotam dietas pouco saudáveis, eles rapidamente começam a engordar e a desenvolver certas doenças. Ganhei peso porque passei a comer muita junk food. Raramente ingeria frutas e vegetais. Sem falar que minha rotina de exercícios se resumia a ir do quarto do campus para a sala de aula.

BF – Quando recuperou o peso anterior?

NM – Emagreci quando retornei ao Japão, dois anos mais tarde, porque passei a comer o que minha mãe preparava e a caminhar por Tóquio. Anos depois, casada e morando novamente nos EUA, o mesmo aconteceu com meu marido. A primeira vez que foi visitar minha família pesava 100 kg, mas se apaixonou de tal maneira pela culinária local que, na volta a Nova York, trouxe diversas receitas da minha mãe na bagagem e, gradualmente, perdeu 18 kg!

BF – Como manter os hábitos orientais nos Estados Unidos?

NM – Moro em Nova York há quase 20 anos. Aprendi a preparar refeições com toques da culinária japonesa. Prefiro peixes, vegetais – especialmente folhas verdes, rabanete, nabo e berinjela, frutas e grãos integrais. Cozinhar não tem que ser demorado e chato, mas os ingredientes precisam ser frescos. A cozinha japonesa é rápida, simples, e você só precisa da pia e do fogão. As japonesas cozinham a vapor, grelham, refogam ou fritam rapidamente em fogo alto. E os temperos são sutis.

BF – Qual tempero não pode faltar?

NM – O dashi, um caldo de peixe (flocos de bonito), algas (marrom) e cogumelos, que serve como uma alternativa ao caldo de carne.

BF – Quais alimentos as japonesas evitam?

NM – A beleza da dieta japonesa não está apenas no que se consome, mas no que se deixa de consumir. De acordo com dados das Nações Unidas, nossas refeições contêm muito menos carne, açúcar manteiga e gordura animal que as americanas. Portanto, ingerimos menos gorduras saturadas e trans, que fazem mal à saúde.

BF – Qual o maior pecado que os ocidentais cometem quando o assunto é comida? NM – Tratá-la como inimiga. Muitas pessoas têm uma relação de amor e ódio com os alimentos e ficam o tempo todo se privando. Não vejo nada de errado em ingerir um pedaço de pizza ou um hambúrguer desde que eles entrem ocasionalmente na dieta.

BF – E como vocês lidam com a vontade de devorar uma barra de chocolate?

NM – Também somos loucas por doces. As docerias de Tóquio exibem as sobremesas como se fossem jóias. O segredo é o tamanho da porção: modesta, mas com uma apresentação impecável. Quando bate a vontade de devorar um pacote de biscoito recheado, paro e penso em quão estufada e cansada vou me sentir depois. Então, procuro outras alternativas.

BF – Esse autocontrole tem a ver com a filosofia japonesa, não?

NM – Acho que autocontrole não é a palavra mais correta porque soa negativamente. Nossa cultura celebra a beleza do que é natural e das coisas simples. Isso se reflete no prato. O hábito da alimentação saudável nos é peculiar e é passado de geração para geração. Infelizmente, assim como no Brasil, muitos jovens de meu país estão perdendo contato com esses costumes e há sinais de obesidade entre eles. É nosso dever conectá-los novamente aos benefícios das comidas frescas e não processadas.

BF – Quantas refeições os japoneses fazem por dia?

NM – É exatamente como no Ocidente: café-da-manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.

BF – Na sua opinião, a vida corrida de grandes centros influencia na aparência física e no processo de envelhecimento?

NM – Cidades como Tóquio têm pontos negativos, como estresse e poluição. No entanto, o que me deixa alarmada é o luxo e a conveniência que as sociedades civilizadas trouxeram, como carros, computadores, elevadores e videogames, que nos impedem de praticar exercícios diários. Sem contar a praticidade dos alimentos congelados e da fast food, que nos fornecem um monte de gorduras ruins, sódio e nutrição inadequada.

BF – Qual a imagem que as japonesas têm de si mesmas?

NM – Ironicamente, as orientais têm uma auto-imagem pobre se comparada à das ocidentais. Talvez por conta de uma tradição que prega a modéstia ou por aspirarem a um visual ocidentalizado.

BF – Na cultura japonesa, o que significa se manter jovem?

NM – Existem muitas maneiras de definir a juventude. Eu acredito que é uma questão de atitude e não de idade. Uma pessoa é jovem quando está física e emocionalmente saudável e tem uma postura positiva diante da vida.

A culinária japonesa é de excelente qualidade. Só devemos tomar cuidado com o tempurá e o excesso de sal pelo uso do shoyu”, diz a nutricionista Vanderlí Marchiori, de São Paulo. Tirando isso, sempre que a pedida for um japa, não dispense o gengibre e a raiz-forte. “O gengibre é ótimo para aumentar a imunidade e promover a depuração do organismo, sem contar a ajuda na redução de gordura corporal. E a raiz-forte é bárbara como antioxidante e melhora as vias respiratórias”, informa Vanderlí. Fã incondicional dessa cozinha, ela dá algumas dicas do que pedir.


• SOPA DE MISSÔ (65 CALORIAS): rica em isoflavonas (substância da soja que é importante para a saúde da mulher). Isenta de gordura trans. Só não acrescente sal. A cebolinha dá o sabor.
• TEPAN DE LEGUMES (60 CALORIAS): esses legumes, de diferentes sabores, são ricos em vitaminas e fibras.
• SUSHIS VARIADOS (245 CALORIAS): a com binação perfeita de carboidratos e proteínas faz deles um prato quase completo. Só falta acompanhar com verduras e legumes.
• PEIXE (211 CALORIAS): proteína magra de excelente qualidade e digestibilidade.
• SASHIMI DE SALMÃO (220 CALORIAS): qualidades iguais às do peixe.
• TEMPURÁ DE CAMARÃO E LEGUMES (485 CALORIAS): é uma fritura de imersão e, dependendo da qualidade do óleo, pode ser altamente indigesto, contra-indicado para quem tem problemas de fígado ou precisa reduzir o peso.
• YAKISSOBA (410 CALORIAS): embora seja um prato de origem chinesa, invadiu os restaurantes japoneses. É um prato equilibrado se tiver muitas verduras e legumes. A quantidade de carne deve ser sempre inferior.
• BOLINHOS DE GUIOZA (359 CALORIAS): os preparados no vapor são uma excelente opção de entrada. Evite os fritos, que apresentam 30% mais de gordura.

2 comentários:

Lilian disse...

Sou leitora do seu blog e achei muito interessante a matéria sobre a culinária japonesa, bastante pertinente para os dias atuais, quando todos estamos preocupados com a obesidade, bem como com a qualidade de vida retardando o envelhecimento.

Parabéns

Lilian

Anônimo disse...

It seems like you are making difficulties your self by wanting to solve this concern instead of looking at why their is really a issue inside the first area

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my website is
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Also welcome you!