quinta-feira, janeiro 24

FILOSOFIA



Alexandre Leite do Nascimento
"Quanto mais depressa cresce a humanidade, quanto mais ela domina os meios técnicos, tanto mais se torna superficial e cai no coletivismo uniforme. Para uma humanidade massificada, viver consiste apenas em harmonizar e acomodar os comportamentos, diminuindo-se até ao mínimo a responsabilidade de cada um.
Nós outros - este número sempre reduzido de chamados, dos capazes de uma vida pessoal e individual - somos dotados de um modo de sentir mais refinado e de maior aptidão para pensar. Tais dons podem proporcionar-nos grande felicidade. Vemos, ouvimos, sentimos, pensamos, percebemos as nuances de maneira exata, emotiva e rica. Por outro lado, somos sempre pessoas solitárias e corremos o risco de nos desinteressar pela felicidade das massas irresponsáveis. Cada um de nós precisa enxergar com clareza a si mesmo, a seus talentos, suas possibilidades e características próprias, para, enfim, colocar nossas vidas a serviço da perfeição, de nosso auto-aperfeiçoamento. Se o fazemos, estamos servindo igualmente à própria humanidade. Com efeito, é daí que surgem todos os valores da cultura (religião, arte, poesia, filosofia, etc.). Desta maneira, o muitas vezes caluniado "individualismo" é posto a serviço da comunidade, e desaparece o ódio do egoísmo."
(Herman Hesse)

Um comentário:

César disse...

Hermann Hesse é um dos maiores escritores de todos os tempos. Merece ser lido e relido, especialmente em épocas em que a mediocridade coletiva pretende destruir a individualidade, a liberdade e toda a riqueza (não só material) que elas proporcionam. A obra de Hesse revela como poucas a fascinante complexidade da alma humana, em que não há espaço para maniqueísmo.