terça-feira, março 18

O QUE FEZ DE MIM UMA ROQUEIRA?



Maria Macarena Guerado de Daniele



Normalmente, começamos a fazer terapia em busca de ajuda para a solução de determinado(s) problema(s)...




A par de conseguirmos ou não as “respostas”, inconscientemente nos condicionamos a observar mais nossos pensamentos e atitudes, o que fatalmente nos leva a encontrar novos problemas (por vezes, piores!) ou simplesmente questionar aspectos comportamentais antes despercebidos.



Foi o que aconteceu comigo.



No meu aniversário, ganhei um excelente CD de música Punk (PUNK - 1977/2007 30TH ANNIVERSARY)... Ao ouvi-lo (e devo confessar que delirei em cada música!), intuitivamente comecei a viajar sobre o porquê de uma mulher como eu, advogada, com um cargo cheio de responsabilidades, que tem de se manter séria durante 90% do tempo, de temperamento delicado (menininha mesmo), gostar de uma música totalmente crua e agressiva como essa. Influências familiares? Nenhuma. Muito pelo contrário...


Cresci ouvindo boleros e assistindo àqueles irritantes filmes musicais da década de 50, em que as pessoas cantam até para dizer as horas! E posso afirmar que, desde a mais tenra idade, detesto todas e cada uma daquelas músicas (bem, nem todas, mas a grande maioria). Já minha irmã, embalada pelas mesmas canções, abomina a Doris Day (quem pode culpá-la?), mas captou algo que eu perdi, pois é fã de carteirinha do Luís Miguel...



Também não posso creditar meu gosto, digamos, “alternativo”, a influências de amigos... Lembro-me que, ainda criança, descobri sozinha e ouvia assiduamente a extinta Rádio 97,7 FM e a “assassinada” (com requintes de crueldade) Rádio 89 FM, sob os olhares tortos do pessoal de casa... Nunca vou esquecer da cara da minha mãe me perguntando, umas cem vezes por dia, “Como você consegue ouvir isso?”. Genial!



Para não estragar o caráter investigativo do presente estudo, não posso mentir e dizer que não me influencio vez por outra e acabo caindo de amores por alguma musiquinha Pop... Elas são irresistíveis! Na minha adolescência, por exemplo, in era dançar a (excelente) música eletrônica pré-bate-estaca, ou, como chamávamos, o “Poperô” (uma brincadeira com a música “Pump Up The Jam”, do Technotronic, que bombava à época)... Esses sons eu gostava de dançar... Gosto até hoje! Mas também, e principalmente, coexistiam o “terror” da Lambada e do “breganejo”, que todo mundo ouvia e adorava... Eu, obviamente, fugia (e fujo!) daquilo, porque o meu horror a essas músicas é inversamente proporcional ao meu gosto pelo “barulho”. E igualmente inexplicável!!!



É certo que tenho vários amigos com um gosto musical semelhante ao meu, mas eles só me fizeram aprimorar algo que eu já gostava, acrescentando várias bandas novas ao meu repertório... Então, afinal de contas, o que me fez gostar deste tipo de música (que a maioria das pessoas detesta)?



Movida pelas estranhas associações de idéias que regem meus pensamentos, recordo das indecifráveis aulas de matemática e dos seus “axiomas”, os quais, na definição do Houaiss, são uma “premissa considerada necessariamente evidente e verdadeira, fundamento de uma demonstração, porém ela mesma indemonstrável, originada, segundo a tradição racionalista, de princípios inatos da consciência”. Paro para pensar no assunto... Não é que faz sentido?!

Premissa evidente e verdadeira: gosto de música barulhenta; Indemonstrável: não sei o porquê. Portanto, originada de princípios inatos da consciência.


Assim, satisfeitos os requisitos da proposição, concluo que meu gosto musical é, de fato, um axioma, e o enuncio: “Gosto porque gosto e pronto!”.

3 comentários:

Luiz disse...

Nunca me fiz essa pergunta, acho ate porque sempre tive uma alma rebelde e, por isso, o gosto musical coube como uma luva. Hoje, estou ate muito mais ecléctico. Com certeza, começou com as musicas Pop que meus irmaos ouviam. Nunca ouvi Saltimbancos, Balão Magico, e afins. Muito cedo fui influenciado pelos gostos musicais dos meus irmãos (Elton John; Emerson, Lake, and Palmer; Yes; Black Sabbath; Alice Cooper; Led Zeppelin; Queen; Bee Gees). Me lembro de um evento em minha vida quando estava no pre-primario, no longínquo ano de 1979... Iríamos ter uma competição de dança na escola... Meus pais me compraram um disco ridículo das Patotinhas em ritmo “dance” para levar na escola... Eh lógico que eu me recusei a levar a maldita bolacha, e acabei pegando um disco do meu irmão. Uma coletânea de musicas da extinta “discoteca” Hippopotamus, da Somlivre... Ainda lembro do rotulo daquela bolacha girando na vitrola: verde e azul... Adorava a primeira musica daquele disco: Philadelphia Freedom, do Elton John. Porem, num dia muito distante do ano de 1984, após ter vivido as experiências do Kiss em 1983 e do Queen em 1981 (realmente muito marcante na minha vida - assisti o show do Morumbi inteiro pela Bandeirantes - muitos fans da banda reputam esse como um dos melhores show da carreira da banda), assisti ao clip de Aces High, do Iron Maiden, no extinto “Som Pop”... Lamento a frase de baixo calão, mas soh ela define o que aconteceu dai em diante: “ai fudeu”...

deveriaestarestudando disse...

Coincidência! também sou advogada, servidora pública e........rock n´roll total. Trabalho com blusa de bandas nas sextas-feiras...
Bom gosto, é o que temos. E se a maioria não gosta, lembre-se: a maioria é burra.
bjks

Anônimo disse...

PUTZ! que legal no Brasil existirem pessoas como voces!No minímo sangue europeu na parada!MY LIFE IS A ROCK´N´ROLL!!!!