domingo, abril 6

EU FUI!!!


Faltavam, teoricamente, 15 minutos para o início oficial da apresentação de Ozzy Osbourne em São Paulo, o sistema de som ainda entretia o público com "Hell's bells", do AC/DC, quando entra uma voz, em um tom que parecia de brincadeira: "I-wanna-hear-youuuu" (Eu quero ouvir vocês). Era ele, o príncipe das trevas, o "madman", que dava início à sua performance para 38 mil pessoas, no Palestra Itália, mesmo sem ter colocado os pés no palco. E ainda levaria um tempo para Ozzy finalmente aparecer para sua platéia, mas já a partir daquele momento o cantor mostrava o lado showman que ajudou a torná-lo como maior ícone do metal.


A apresentação de 1h40, na noite deste sábado (5), foi baseada em quatro momentos de sua carreira: os discos "Blizzard of Ozz" (1980), "Bark at the moon" (1983), "No more tears" (1991), o mais recente "Black rain" (2007), além de clássicos do Black Sabbath. O compacto repertório de 16 músicas é montado para não deixar o fôlego da platéia cair; são três do álbum novo e o restante de faixas reconhecíveis para qualquer fã.

O Ozzy que aparece antes da música começar é o pós-"The Osbournes", o reality show da MTV que apresentou o cantor para uma nova geração: em uma montagem engraçada, ele invade cenas de filmes e séries como "Lost", "The office" e "Piratas do Caribe". Sobra até para a ex de Paul McCartney, Heather Mills, com quem o cantor "interage" em um instante do programa "Dancing with the stars" (surge até menção à perna postiça da ex-modelo).

De calça e camiseta preta, com uma faixa na cabeça da qual se livra logo depois, unhas e olhos pintados, o cantor inglês entra no palco acompanhado da banda formada por Zakk Wylde (guitarra), Rob "Blasko" Nicholson (baixo), o ex-Faith No More Mike Bordin (bateria) e Adam Wakeman (filho de Rick Wakeman, justamente nos teclados). Ozzy não deixa de exibir os sinais de seus 59 anos - a barrigona fica impossível de esconder -, mas o vigor físico e a voz ainda potente são de impressionar.

"Go fucking crazy" (suavizando, algo como "vamos ficar loucos para cacete") é a sua ordem antes da nova "I don't wanna stop". Já na seqüência de primeiras músicas, ele pega baldes de água aos montes para encharcar a platéia e a si mesmo, abaixa as calças e mostra o traseiro e se empolga com a coreografia de mãozinhas para-o-lado-e-para-o-outro feita pelos fãs, que até parecia show de... metal, mas com algo diferente. A banda faz uma série dos primeiros anos da carreira solo de Ozzy, incluindo a polêmica "Suicide solution", pivô de um processo judicial em que Ozzy foi acusado (e depois inocentado) de contribuir para o suicídio de um adolescente.

Na primeira do Sabbath, "War pigs", cenas de guerra são exibidas no telão para fazer alusão ao tema da música, lançada no auge do conflito no Vietnã. Ozzy continua a pular e a jogar água no público, enquanto gritava frases como "não consigo escutar vocês" (pedindo mais barulho dos fãs) e "eu amo vocês todos".

O cantor sai de cena para o solo de oito minutos do guitarrista Zakk Wylde, que invocou Jimi Hendrix e Eddie Van Halen em performance e nas pentatônicas. Foi aí que se percebeu com clareza que seus dedos da mão direita sangravam sem parar, manchando todo o corpo do instrumento e, de uma certa forma, dando o tom rock 'n roll à coisa toda. E prosseguiu assim até o final da apresentação.

Bebericando chá, água e café, ao contrário de outros tempos de aditivos mais pesados, o cantor manteve o pique até encerrar com "Paranoid". Antes de ir embora, depois de pedir quase o tempo inteiro para todo mundo "ficar louco para cacete", disse para "voltarem com cuidado para casa" senão ele pegava todos de tapa. Depois de anos, Ozzy manteve a pose de "madman", mas já virou pai responsável - até de seu próprio público.

fonte:http://g1.globo.com

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