terça-feira, junho 3

GLOBALIZAÇÃO

Melissa: brasileira, neta de alemães,de italianos e de judeus. Muçulmana,
casada com marroquino, moradora na Alemanha há quase 5 anos.


O que é globalização?

Cada um tem a sua...


Sempre houve a dinâmica de globalizar.

No começo, limitados pelas pernas, poeticamente, eu diria que se globalizava olhando para as estrelas, criando constelações com imagens de figuras mitológicas.

Íamos ao encontro do cosmos, viajávamos pela escuridão, encontrávamos a luz e sentíamo-nos parte de um todo. Global? Mais...! Bem mais! Universal!
O que é o globo?

Uma rua sem saída. Apenas não percebemos tanto, já que somos pequenos em relação a essa rua e temos muito para andar, viajar, conhecer e nos distrair. De tal forma o fazemos, sem contar com o tremendo esforço para sobrevivermos, que raramente notamos onde é que estamos.

Viajando, com os super veículos velozes da modernidade, encontramos os outros - o outro - mergulhamos na sua diversidade, estranhamos qualquer diferença em relação a nós mesmos, questionamos e, por vezes, criamos preconceitos, porque é mais cômodo.

Penso que o pré-conceito era para ser usado para reconhecimento rápido e tático para com aquele próximo demais de nós, um inimigo em potencial. Coisa de predador. Muita antiga. Somos talvez a única espécie, cujos maiores predadores estão entre nós mesmos.

Acho que globalizar é questão de oportunidade, de tolerar por necessidade, de se apaixonar pelo que é estranho e depois nem estranhar mais nada. A melhor qualidade da globalização é a velocidade com que ela acontece! Seu maior mérito é o de derrubar os tais preconceitos, e tal acontece por causa da velocidade, quanto mais veloz se dão as relações humanas, menos tempo se tem para cultivar pensamentos, tecer reflexões.

Acabou a era de contemplar as estrelas, nasceu a era de se dar voltas pelo globo até cansar...
A foto acima é de uma pessoa total mente global: Melissa, minha filha. Ao contrário do que muitos pensam, porque foto engana, o local é em Ibiúna, São Paulo-Brasil. A mata, no fundo, submetida ao tom sépia e às vestimentas muçulmanas, acabou adquirindo um ar de paisagem mais mediterrânea. Isso também é globalizar imageticamente.

Apesar de toda essa globalização, que acabei aceitando rapidamente, continuo contemplando minhas estrelas, no céu escuro que ainda posso ver do meu pedacinho de terra, e sonhar! Sonhar que sou universal e que posso sair dessa rua sem saída. É preciso mais do que globalizar, é preciso universalizar!
Texto de Carolyn Hoppenstedt Ruzzi

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