terça-feira, julho 1

THE ROLLING STONES




Entre os grandes discos que completam 40 anos neste 2008, merecem destaque o LP “Beggars Banquet” e o single “Jumping Jack Flash”, dos Rolling Stones. O ano anterior foi de completo desbunde para Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Bill Wyman e Charlie Watts, com o álbum “Their Satanic Majesties Request”, o mais psicodélico da safra, de uma loucura bem maior do que “Sgt Pepper’s”, dos Beatles.
À parte algumas grandes canções, como “She’s a rainbow”, “Citadel” e “In another land”, esta de Wyman, “Their satanic...” era um desbunde total.

A expectativa de fãs como eu, era qual seria a próxima direção de banda... A resposta veio em maio de 1968 com o single “Jumping Jack Flash”, rock do bom com aquela crueza típica da banda, um riff desdobrado do riff de “Satisfaction”, ambos antológicos, perfeitos, geniais. "Jumping Jack" era o apelido do jardineiro de Keith Richards, que Jagger usou para dar nome ao personagem da letra.

Wyman reivindica a paternidade do riff nos livros autobiográficos “Stone alone” e “Rolling with the Stones”. Ele diz que o criou num órgão no estúdio, daí a banda o aperfeiçoou até o formato final que inclui guitarras passadas através de um gravador cassette da Philips para fazer o som ficar bem rudimentar. A letra fala de um personagem nascido num furacão de fogo, criado por um vagabundo bárbado e sem dentes que foi à escola com uma correia atravessada nas costas e um cravo atravessado na cabeça. No lado dois, para fazer o contraste, a lírica balada “Child of the moon”, uma das mais bonitas da banda.

Com o single, os Stones iniciaram uma fase que se estenderia até 1973 com o produtor e percussionista Jimmy Miller (1942 – 1994), que tinha (e viria a ter) no currículo trabalhos com as bandas Traffic, Blind Faith, Spencer Davis Group, Plasmatics e Motorhead.
Beggars Banquet” é essencialmente acústico, com violões incendiários e um acento country que dá a personalidade do disco. Nele está o original de um dos hinos da banda, “Sympathy for the devil”, um desdobramento do título do LP anterior, uma canção que associaria a banda a Satã/Lúcifer e a acontecimentos estranhos. No Festival de Altamont, quando houve um assassinato pelos Hells Angels (Anjos do Inferno) e muitas brigas Jagger disse que alguma coisa estranha sempre acontecia quando eles tocavam “Sympathy for the devil”. Daí terem sido chamados por um tempo de suas majestades satânicas.

Isso se deve ao fato de Jagger encarnar Lúcifer na primeira pessoa numa letra em que o coisa ruim reivindica vários fatos históricos como a morte do czar Nicolau II e da princesa Anastásia na revolução comunista de 1917 na Rússia, afirma ter sido um dos generais de Hitler, diz que todo policial é um criminoso e compartilha com o ouvinte o assassinato dos Kennedy, John (presidente em 1963) e Robert (senador em 1968). A parte musical para a banda é um samba, influência de viagens de Mick e Keith ao Brasil para férias, mas para nós pode ser tudo menos isso. O filme “One plus one”, do cineasta francês Jean Luc Goddard, mostra a banda em estúdio ensaiando a música. O filme foi rebatizado como "Sympathy forthe devil" quando saiu em DVD para faturar em cima do nome da banda.
Matéria enviada por Jaquinho.

fonte: Blog "jam sessions" no http://oglobo.globo.com/blogs/jamari/

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