sexta-feira, agosto 8

A CATEDRAL DO MAR

Elke Vicente
Atualmente, a escolha de um livro para ocupar a minha mesinha de cabeceira recai sobre aqueles que tenham tanto a porção entretenimento quanto aprendizado.


Adoro abrir um livro e encontrar a realidade mesclada à ficção; o romance desenvolvendo-se sobre a descrição de fatos reais. Isso faz com que a imaginação permeie a vida das personagens e, ao mesmo tempo, permite que a curiosidade impulsione pesquisas paralelas sobre fatos reais e momentos históricos.



A Catedral do Mar, livro escrito por Ildefonso Falcones, é uma fusão encantadora de um período da história da Catalunha (1320/1384) com um romance palpitante e cheio de reviravoltas.



Logo no começo do livro, o autor choca o leitor com o início conturbado da vida do protagonista, Arnau, que chega à Barcelona com seu pai, Bernart, fugido de Navarcles, principado da Catalunha, onde tinham o status de “servos da terra”.



Interessante notar, todavia, que a estrutura social desta época não advinha de um passado muito distante. Relata, o autor, que “no ano de 1017, com a morte do conde Ramon Borrell, os barões da Catalunha tinham aproveitado o vazio de poder para extorquir os camponeses, matar os que resistiam e obter a propriedade das terras em troca da permissão para que os antigos donos as cultivassem e pagassem ao senhor com parte de seus frutos.”



“ Foram os avós de Bernart que perderam a liberdade e, a partir daí, os camponeses foram proibidos de abandonar os campos, foram convertidos em servos, homens atados as suas masías, às quais seus filhos e netos permaneceriam atados.


A vida dos camponeses estava nas mãos do senhor que distribuía a justiça e tinha o direito de maltratá-los e ofender sua honra.”



Diante deste cenário e de circunstâncias pessoais, Bernart resolveu mudar-se para Barcelona, impulsionado pelo sonho de liberdade. Havia ouvido comentários que quem conseguisse viver um ano e um dia na cidade, sem ser detido pelo senhor, ganharia a carta de vizinhança e obteria a liberdade.



A outra protagonista da história é, sem dúvida alguma, a Catedral do Mar, localizada no bairro de Ribeira do Mar de Barcelona e construída em homenagem à Virgem Maria.



Descreve, o autor, que “no começo era só um bairro de pescadores, estivadores e todo tipo de gente humilde. Já então havia ali uma pequena igreja, chamada Santa Maria das Areias, construída no lugar onde supostamente Santa Eulália fora martirizada, no ano de 303.”



“A pequena igreja de Santa Maria das Areias recebeu este nome por ter sido edificada precisamente na areia da praia de Barcelona, mas a sedimentação que tinha tornado impraticáveis os portos da cidade afastou a igreja das areias que configuravam a linha costeira, até fazê-la perder sua denominação original. Passou, então, a se chamar Santa Maria do Mar, porque ainda que a orla tivesse se afastado, o mesmo não sucedera com os homens que viviam do mar.”



“ O bairro da Ribeira desenvolveu-se e muitos nobres acabaram se mudando para lá e a antiga igreja ficou pequena para os paroquianos ricos e prósperos. No entanto, os esforços econômicos da igreja barcelonesa e da realeza concentravam-se, exclusivamente, na reconstrução da catedral da cidade. Os paroquianos ricos e pobres de Santa Maria do Mar, unidos pela devoção à Virgem, não desistiram diante da falta de apoio e, pelas mãos de Bernart Llull, recém nomeado arquidiácono do Mar, solicitaram às autoridades eclesiásticas permissão para erguer o que queriam que fosse o maior monumento à Virgem Maria. E a permissão foi concedida. Assim, Santa Maria do Mar começou a ser construída per e para o povo.”



As histórias de Arnau e da Catedral se interligam quando, ainda menino, perguntou a seu pai como era sua mãe e obteve como resposta que todas as crianças que ficavam sem mãe, como ele, Deus lhes dava outra: a Virgem Maria. Curioso para conhecê-la, percorreu toda a cidade a sua procura até encontrá-la na Catedral do Mar.



Arnau, durante toda a sua vida ia à Catedral do Mar rezar e ver a Virgem, tendo acompanhado sua construção pedra por pedra.



A vida do protagonista e os dados históricos vão se entremeando de modo a proporcionar ao leitor a possibilidade de contato com a política da época, o desenrolar do comércio marítimo, o relacionamento entre o rei e os cidadãos de Barcelona, a forma de convocação para as guerras e o seu financiamento.



Uma passagem do livro noticia como os judeus viviam na Barcelona do Séc XIV e que lugar ocupavam na sociedade, bem como deixa claro o interesse do rei quanto a sua permanência na cidade.



Interessante, também, a abordagem da atuação da Inquisição e a influência da Igreja Católica naquela estrutura social.



Assim, desde o início da construção da Catedral do Mar, até a sua inauguração, muito aconteceu com Arnau e com Barcelona, propiciando ao leitor um contato direto com uma história já um pouco distante.

7 comentários:

Claudia Pimenta disse...

oi! ah, adoooro barcelona! o livro parece bem interessantem, hein? acho que vai p/a minha wish-list (que está enorme! risos)! bjs!!!

Claudia Goulart disse...

Dica pra livro é sempre bom.
Valeu!
bjs

Silvinha disse...

Ja recebi essa dica de uma amiga, estou ansiosa p/ lê-lo!

Joaninha Bacana disse...

Oi!
Eu ganhei de Saint Jordi (Dia dos Namorados na Catalunha) do meu namorido, e devorei o livro (nao literalmente, hehehe). Muito bom!!! Agora tô louca pra conhecer a Catedral do Mar!!! Como a gente sempre passa o Natal em Barcelona, com a família de namorido, já avisei ele que a Catedral vai fazer parte do nosso itinerário ese ano :o)))
Beijocas, e boa leitura!
Angie

Leonardo disse...

Também sou fã de romances históricos. Esse vai para lista.

E se vocês se interessarem por inquisição espanhola, não deixem de ler "O Último Judeu" do Noah Gordon.

Bj

carteirodopoente disse...

olá rostinhos_bonitos,
obrigado por passarem no carteirodopoente
beijos
tadeu filippini
p.s. vou postar um outro filme da eliana :
frankenstein punk..dela e do cao hamburger

Guto disse...

A Elke sempre me encantou desde o primeiro dia em que a conheci. Rapidamente quis transformar essa minha encantadora namorada em minha noiva.

Sabe como é, mulher como essa não passa na vida de um homem duas vezes.

A Elke me encanta desde o mais ingênuo sorriso até o mais profundo bate papo. Foi encantador saber que o livro que eu dei de presente cativou-a tanto. Mais encantador ainda foi poder compartilhar diariamente dos seus minuciosos relatos de sua leitura de cabeceira.

Saludos
Guto