segunda-feira, dezembro 20

Um novo medicamento contra a obesidade


Nos últimos 15 anos, apenas quatro medicamentos para a obesidade receberam registro das agências reguladoras em todo o mundo, a dexfenfluramina, o rimonabanto, a sibutramina e o orlistat. No Brasil, a primeira foi suspensa após cinco anos de uso, devido a constatação de causar lesões nas válvulas cardíacas, o segundo foi suspenso em menos de um ano, após as observações de causar problemas psiquiátricos e a cada dia aumenta o cerco à sibutramina. Ela já foi suspensa na Europa, Canadá, EUA e outros países da América Latina.



Para uma droga nova ser aprovada para o tratamento da obesidade, ela deve se mostrar eficaz em relação ao placebo (cápsulas sem medicamento ativo), ou seja, levar a uma perda de peso maior que 5% do peso corporal e propiciar manutenção do peso alcançado por no mínimo um ano; deve ser segura em relação aos efeitos colaterais e deve levar à redução dos vários fatores de risco relacionados à obesidade.



Esses são parâmetros rigorosos e avaliados em 3 fases antes da droga poder ser comercializada, o que pode levar mais de 10 anos de pesquisa. Após a aprovação pelos órgãos de vigilância, começa uma 4ª fase de avaliação, chamada de farmacovigilância, quando os órgãos reguladores, como o FDA nos Estados Unidos, a Anvisa no Brasil e a EMEA na Europa podem exigir mais estudos e suspender a comercialização do medicamento.



Para conseguir um medicamento eficaz e seguro, que cumpra com as normas do FDA nos Estados Unidos, por exemplo, são necessários cerca de cinco mil a 10 mil compostos químicos, no mínimo oito a 12 anos de estudos e avaliações, entre 350 a 500 milhões de dólares de investimento. Mesmo assim, a aprovação desses medicamentos pode ser suspensa caso os pré-requisitos acima não sejam atendidos.



Acaba de ser aprovado pelo FDA nos EUA uma nova associação de medicamentos para o tratamento da obesidade. Trata-se do Contrave, uma associação de medicamentos já existentes, inclusive no Brasil. A bupropiona, até então usada na luta contra o tabagismo e o naltrexone, usado no tratamento do alcoolismo.



Atualmente, outros quatro medicamentos estão em fase adiantada de pesquisa, na chamada fase III. São eles:



1- Celistat: Um inibidor da lipase semelhante ao nosso orlistat, que leva à perda de peso pela inibição da absorção intestinal das gorduras da dieta.



2- Locaserina: Uma droga que imita os efeitos da serotonina, semelhante à sibutramina, mas sem alguns efeitos estimulantes desta.



3- Qnexa: Uma associação do topiramato com a fentermina. O primeiro, um anticonvulsivante e antienxaquecoso já em uso no Brasil e com comprovados efeitos na impulsividade do comer compulsivo. A segunda, em uso nos Estados Unidos, um derivado anfetamínico com efeitos supressores do apetite. Infelizmente, essa associação acaba de ser reprovada pelo FDA na fase III.



4- Tesofensina: uma droga semelhante à sibutramina com efeitos na saciedade e no gasto energético.

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